Aracaju
- Rebeca Kim

- 20 de abr. de 2022
- 5 min de leitura
Atualizado: 30 de abr. de 2022

Essa é uma das viagens que fiz recentemente, então as informações ainda estão fresquinhas na cabeça, mas é um lugar que eu não conhecia antes e que infelizmente não tive tempo de vivenciar tudo. Aqui nesse post vou explicar como foi minha viagem com transporte, hospedagem e atrações em Aracaju.
Aracaju enquanto centro urbano, capital de Sergipe, deixa muito a desejar com relação a acessibilidade. As calçadas são irregulares, com buracos e é difícil encontrar rampas dos dois lados da rua. Apesar disso, é uma cidade plana e pequena. Se conseguir percorrer tanto a orla de atalaia quanto o centro, já dá para conhecer todos os pontos turísticos principais.
Transporte
Eu só andei de Uber, porque como a cidade é realmente pequena, o preço do Uber lá acaba sendo bem barato. Me hospedei na orla de Atalaia, então o Uber foi apenas para o centro e para o aeroporto, o restante foi a pé.
Vi que os ônibus possuem uma porta no meio que parece ter elevador, mas não vi se funciona e também não sei se pessoa com deficiência paga passagem. Pelo menos por fora, os ônibus lá parecem ser bem antigos. Peguei transportes privativos para fazer alguns passeios e foram de van que não era acessível. Nesse caso precisei de ajuda para embarcar e os motoristas foram muito gentis, mas é uma pena que no Brasil esses passeios continuam deixando de priorizar a acessibilidade, mesmo sabendo que já existe soluções de ônibus executivos adaptados. A pessoa com deficiência e o acompanhante pagam pelo transporte do passeio normalmente. Nesses passeios também é possível chegar com carro particular.
Hospedagem
Me hospedei no Arcus Hotel, na Orla de Atalaia. Além de bem localizado, foi um hotel acessível tanto no quarto quanto nas áreas comuns, que tinha rampa até para a piscina. Enquanto estava pesquisando, não foi difícil encontrar hotéis com indicação de acessibilidade e com preços razoáveis, então não cheguei a olhar outros tipos de acomodação.
Acho importante a questão da localização para economizar no transporte, como falei ali no item anterior. A orla de atalaia não é só um bom passeio como também tem algumas opções de restaurantes, barraquinhas de comida e é bem próximo à Feira do Turista, uma das atrações bem animadas na cidade.
Atrações

Infelizmente, boa parte das atrações no centro de Aracaju atualmente (abril de 2022) fecham aos domingos e segundas. O Museu da Gente Sergipana, a Catedral, o Centro Cultural e o Palácio são bem próximos um do outro, gratuitos, mas não consegui conferir a acessibilidade em cada um porque estava tudo fechado.
Largo da Gente Sergipana
Em frente ao Museu da Gente Sergipana, o píer às margens do Rio Sergipe é bem bonito, agradável e acessível, o chão é liso e o guarda corpo para observar o rio é de madeira vazada, aberta, não comprometendo o campo de visão mais baixo.
Mercado Municipal
Começando o passeio no Largo, o mercadão é o ultimo ponto da caminhada. Infelizmente o chão tem alguns buracos e piso irregular, mas é um passeio interessante por ser público e aberto, com verduras, pescados e artesanatos.
Feira do Turista
Localizada no fim da orla de Atalaia, esse espaço é bem mais acessível do que o Mercado Municipal, pois possui rampas e chão liso. Além de artesanato e comércio local, há também opções de comidas variadas e música ao vivo.
Projeto Tamar
Essa não foi a primeira vez que visitei um Projeto Tamar e também não é o maior do país, mas respeito muito o trabalho de preservação da vida marinha e valeu muito a pena a visita. A organização não tem fins lucrativos então eles cobram um ingresso que na minha opinião eu não achei caro, mas é de graça para pessoa com deficiência com um acompanhante.
O local é acessível, mas algumas rampas são bem inclinadas então no meu caso uma ajuda foi bem vinda. Caso eu estivesse sozinha, acho que os funcionários de apoio não hesitariam em ajudar.
Praia de Atalaia
Achei bem complicada com relação a acessibilidade, pois o calçadão da orla é bem extenso e ainda há uma grande faixa de areia para chegar até o mar. Caminhando no calçadão pela orla, algumas esculturas rendem fotos bem bonitas, como no Caranguejo e nos Arcos de Atalaia.
Atrás dos arcos há uma passarela de madeira para chegar na areia, mas é longe para chegar ao mar e a própria passarela é muito longa, com um terreno bem irregular.

Lago dos Tambaquis
Essa é uma atração fora de Aracaju. Como eu falei lá no começo, fechei o passeio com uma agência de turismo que fez o transporte de van, que não era acessível, mas me buscou no hotel e deixou exatamente no local.
O Lago dos Tambaquis possui várias opções para curtir tanto o lago quanto os peixes, eu fui no "day use" e acho que foi a melhor escolha com relação a acessibilidade. Esse é um complexo que você paga para passar o dia lá, além da consumação, como em um restaurante normal.
A taxa de permanência é gratuita apenas para a pessoa com deficiência. O local possui uma estrutura completa com mesas, guarda sol, rede, rampa de acesso ao lago, duas cadeiras anfíbias, banheiro acessível, além de piscina e tobogã para quem conseguir aproveitar. Os funcionários são super solícitos e tomar banho no lago é uma delícia, além da experiência incrível de estar tão próximo aos peixes Tambaqui. Você pode comprar saquinhos de ração para alimentar os peixes, mas eles naturalmente já ficam próximo às pessoas na água, são bem mansinhos, acostumados e livres.
Cânions do Rio São Francisco
Esse é o passeio que eu estava mais na expectativa porque foi a maneira mais acessível que encontrei de conhecer o Rio São Francisco. O passeio é em um catamarã, partindo de uma estrutura com rampa cimentada que apesar de ser bem inclinada, os funcionários ajudam da maneira mais segura possível. O ingresso ao catamarã é pago integralmente, sem gratuidade ou desconto. O catamarã faz uma parada que não tem rampa, o que é bem estranho pois podiam fazer uma rampa como fizeram a escadinha, mas da mesma forma os funcionários também ajudam e são apenas uns três degraus. Nessa parada é possível fazer um passeio de canoa por onde o catamarã não consegue passar, mas esse passeio não é acessível e sinceramente nem sei se seria possível tornar acessível. A canoa é bem pequena, de madeira e movida apenas a remo, então o embarque é bem instável até mesmo para uma pessoa padrão em pé. Eu consegui ir porque o barqueiro se dispôs a me colocar carregando no colo e minha mãe ficou me segurando ao lado dela dentro da canoa. Valeu a pena, mas mesmo ficando só no catamarã já valeria por navegar na imensidão do Rio São Francisco. Depois fiquei pensando que se colocassem uma cadeirinha improvisada dentro da canoa, já ficaria mais confortável de fazer esse passeio. Durante a parada há também uma área para tomar banho no rio, mas é preciso passar por uma pequena escada, então eu não quis tentar entrar. É possível fazer esse mesmo passeio saindo de Maceió, mas se não me engano, o trajeto da cidade até o catamarã é um pouco mais longe.
Há outras opções de passeios saindo de Aracaju, mas pelas fotos que vi achei que não seria tão acessível quanto esses que eu fui. Como tive poucos dias de viagens e cada passeio desses é pago por pessoa mesmo o transporte não sendo acessível, optei por não ir a Croa do Goré, Praia do Saco, Mangue Seco, Foz do Rio São Francisco e outros.
Mesmo com a falta de acessibilidade é possível aproveitar Aracaju e espero que daqui pra frente esse aspecto seja cada vez mais estimulado e priorizado, tanto na cidade quanto no ramo do turismo.

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