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Manaus

  • Foto do escritor: Rebeca Kim
    Rebeca Kim
  • 16 de jun. de 2022
  • 8 min de leitura

Foto do Teatro Amazonas, visto da lateral. Construção colonial, rosada, com muro de pedra. Alto, com a bandeira do brazil em azulejos na torre do centro.

Mais um destino que fui recentemente, pela primeira vez na região Norte do Brasil e uma grata surpresa em vários sentidos. Manaus tem uma cultura muito própria e um povo que se orgulha disso, desde a culinária a costumes, tradições e arte. Visitar Manaus proporciona diversas experiências diferentes e deveria ser essencial na vida de todos os brasileiros.


Manaus é uma cidade grande e movimentada. As calçadas e vias públicas não são tão acessíveis, mas a cidade é majoritariamente plana e se você se hospedar numa região próxima ao centro, não é difícil de se locomover para os pontos turísticos.


Transporte

Eu acabei usando só Uber, tanto por serem pequenas distâncias e um valor razoavelmente barato, quanto pela comodidade, em se tratando de uma cidade realmente muito quente e eu reparei que os ônibus não tem ar condicionado. Apesar disso, vi muitos ônibus circulando e parecem ser acessíveis, talvez o maior transtorno seja nos horários de pico, pois observei que as paradas e os ônibus ficam cheios, em um trânsito intenso. Não sei quanto a pagar passagem.

  • Uber

Uma situação que ocorreu mais de uma vez foi que alguns motoristas de Uber não quiseram levar a cadeira de rodas, mesmo eu explicando que é bem pequena e desmonta. Um deles sugeriu até que eu deveria pegar Uber Comfort, ou seja, pagar mais caro só por ser cadeirante, e eu não estava carregando malas nem nada demais. Já reclamei com a Uber diversas vezes sobre isso, porque o mesmo também ocorreu quando eu estava em Porto Alegre, mas a plataforma apenas lamenta e nada faz para mudar. Penso que o ideal seria que no próprio aplicativo houvesse a opção de indicar a cadeira de rodas, sem prejuízo algum por isso e sem precisar enfrentar cancelamentos de motoristas.

  • Passeios turísticos

Manaus também oferece passeios fora da cidade, de barco e de transportes coletivos, mas nesse ponto a acessibilidade é bem precária. Para o barco, acredito que o mais fácil é fazer o passeio em catamarã (uma embarcação de maior porte), pois fica melhor para entrar com a cadeira de rodas, mas nem todas as agências de turismo oferecem essa embarcação e como a procura lá é muito grande, eles querem te colocar em qualquer um. O Porto principal é mais fácil que o do Mercado Municipal, que além de ter uma rampa bem complicada, aparecem por lá uns homens se oferecendo a ajudar na rampa e depois pedem dinheiro. No Porto São Raimundo eu não cheguei a ir.

Com relação aos demais passeios, não consegui encontrar nenhum que o transporte fosse acessível, mas é bem importante explicar qual é a sua necessidade nesse sentido e ainda assim estar preparado para algum tipo de perrengue. No meu caso, foram me buscar em um carro de sete lugares com a ocupação máxima já lotada e queriam amarrar minha cadeira no teto. O motorista ainda disse que não sabia que iria uma cadeirante, mesmo eu explicando tudo para o agente de viagens quando contratei o passeio. Nesses casos, tanto no barco quanto no carro, a falta de acessibilidade é tanto na estrutura física quanto no despreparo dos prestadores de serviço, e ambos poderiam oferecer melhores condições, assim como há em outros lugares. Mesmo com a falta de acessibilidade, a pessoa com deficiência e acompanhante pagam normalmente.


Hospedagem

O hotel Ibis Budget Manaus além da ótima localização e custo, possui o padrão Ibis de acessibilidade. Como eu já conhecia por ter me hospedado na mesma rede em São Paulo, optei por essa hospedagem novamente e não fugiu à regra. Possui vários quartos acessíveis que acomodam desde apenas uma até quatro pessoas, atendimento excelente e é possível incluir café da manhã na sua reserva, o que eu recomendo fortemente pela qualidade e comodidade. Esse hotel ainda é próximo de dois shoppings, diversas opções de alimentação e localizado em uma avenida bastante movimentada, de fácil acesso para sua mobilidade, inclusive com uma parada de ônibus na esquina.

Atrações

Assim como em Aracaju, muitos pontos turísticos fecham domingo, segunda e às vezes em algum outro dia da semana, é importante verificar no site oficial de cada local ou no respectivo instagram para informações mais precisas.

Infelizmente eu não tive tempo de ir ao Museu da Amazônia, Centro Cultural Rio Negro, praia da Lua, restaurantes flutuantes e Bosque da Ciência no INPA, então não sei sobre acessibilidade. A tradicional igreja estava em obras e o Museu do Seringal temporariamente fechado, então também não tive como ir.

  • Teatro Amazonas

O cartão postal da cidade é uma beleza de tirar o fôlego. Muito bem preservado, é gratuito com direito a visita guiada e totalmente acessível. Só para não dizer que é perfeito, uma das rampas de entrada é bastante inclinada, mas os funcionários além de ajudar, falaram que já solicitaram a troca daquela rampa e isso não prejudica em nada na visita. Por dentro além de elevador, a estrutura oferece rampas em camarotes dos dois lados do teatro, ou seja, para assistir o cadeirante pode ficar em qualquer setor, e durante a visita pode acessar todos os espaços. Para chegar ao teatro há uma grande rampa similar a de garagem, que é um pouco complicada para subir sozinha pelo tamanho e paralelepípedos, mas com acompanhante ou cadeira motorizada é tranquilo. Creio que de carro explicando que é com uma pessoa com deficiência possa subir, mas não tentei.

O teatro fica localizado numa praça ampla, lisa e plana, bastante agradável. Possui restaurantes em volta e também é possível ver a igreja. No dia que fiz a visita guiada, fiquei sabendo que naquela mesma noite teria uma apresentação gratuita, bastava chegar uma hora antes para pedir o ingresso. Não perdi essa oportunidade e ganhei acesso direto ao camarote, tenho até a impressão de que se eu tivesse acompanhada de mais pessoas de acordo com a lotação do camarote, todos poderiam ir junto. O teatro tem programação gratuita quase todos os dias, vale muito a pena conferir.


  • Mercado Municipal

É um grande galpão antigo com aparência rústica, mas todo plano e coberto, com uma rampa na entrada principal. É enorme e possui artesanatos, comidas, atrativos dos mais variados que se possa encontrar numa feira. É possível ir andando até o Porto de Manaus, mas fique preparado para enfrentar calçadas um pouco irregulares.


  • Porto de Manaus

É de onde saem embarcações para passeios turísticos, transporte de mercadorias, de moradores para outros lugares mais distantes, e de transatlânticos. É interessante observar o movimento do porto, os mais variados barcos e pessoas transitando, e o lugar é plano e amplo. Não é o único porto da cidade, mas como eu disse lá em cima, só fui nesse.


  • Shopping Manauara

Não é muito comum indicar um shopping center como atração turística de uma cidade, ainda mais no Brasil, mas é sempre uma opção que eu gosto de ter em viagens porque sei que vai ter banheiro acessível, lugares fáceis pra alimentação e também dá pra passar o tempo em um dia de chuva, por exemplo. No caso desse shopping, além de tudo isso, ele conta também com uma reserva de Buritizal, uma plantação de árvore nativa, então acabou se tornando um passeio agradável. É também um shopping bem grande, com muita variedade de lojas e decoração bem bonita.


  • Zoo CIGS

Não deixa de ser um zoológico como qualquer outro, mas eu achei uma opção de passeio legal por ser perto do centro. A pessoa com deficiência não paga e apesar de ser em um espaço bem amplo, lá por dentro há algumas rampas pavimentadas que pode ser cansativo. Pra andar tudo é preciso ter força nos braços, um acompanhante com disposição pra empurrar ou cadeira motorizada. Sei que muita gente não gosta de zoológico pois os animais ficam presos, mas todos os animais lá são resgatados de maus tratos sofridos na Floresta Amazônica e estão lá para receber cuidados, eu considero um trabalho muito importante.


  • Encontro das Águas

Essa foi a atração mais aguardada por mim e, do ponto de vista de beleza natural, foi incrível. Esse é um ponto que faz parte de todos os passeios turísticos de barco e quando eu fui estava um tempo nublado, mas mesmo assim foi bastante nítido e bonito de ver. Como eu disse na parte de Transportes lá em cima, o barco que eu fui não era acessível. Era uma lancha fechada, com janelas pequenas e um pouco alta. Para ver o famoso encontro das Águas eu tive que ser carregada no colo para sentar na parte da frente do barco, onde é tudo aberto, mas foi um passeio bem legal. Depois ainda descobri que as águas também tem uma diferença de temperatura, além da coloração, mas como eu não sabia nem tentei colocar a mão.


Foto de duas estruturas flutuantes, ligadas por uma pequena ponte de madeira, com degraus, com um catamarã ao fundo. O céu nublado e chuvoso.
Foto: arquivo pessoal. Exemplo de plataforma onde os barcos param e dá pra passar com a cadeira, mas podiam fazer uma estrutura melhor. Talvez o embarque seja mais fácil neste catamarã ao fundo da foto, mas eu não fui.
  • Boto Cor de Rosa

Essa atração também fez parte do passeio de barco. Para ver os botos o desembarque é feito em uma estrutura de madeira no meio do rio e precisaram me carregar com a cadeira de rodas. Depois disso, você paga um valor em dinheiro para ver os botos de perto e um valor a mais para entrar na água junto com eles. Eu não entrei na água, mas com ajuda dava se eu quisesse. Achei que não valia a pena porque fica melhor ver o boto de fora da água do que dentro, já que eles aparecem muito rápido. Os botos são totalmente soltos e livres, só aparecem na superfície porque as pessoas responsáveis por essa estrutura de observação oferecem comida a eles.



  • Aldeia Indígena

Essa também é uma das paradas no passeio de barco e talvez a mais difícil com relação a acessibilidade. Além do desembarque do barco, para chegar na estrutura da Aldeia há uma ponte com vários degraus que precisaram me carregar por todos eles. Sinceramente, não entendi porque já não fizeram essa ponte como uma rampa, não faria diferença para as outras pessoas e seria bem mais fácil para a cadeira de rodas. Chegando lá, o chão é de terra, mas dá para circular, mesmo com certa dificuldade. É demonstrado um ritual indígena e eles têm alguns animais para contato direto, como jacaré e bicho preguiça, o que eu achei a parte mais legal do passeio.


  • Vitória Regia

Também faz parte do passeio de barco, mas é zero acessível. Para ver as vitória régia é preciso passar por uma trilha que, embora tenha uma estrutura com pontes, algumas partes são bem estreitas e com árvores no meio, sendo impossível de passar. Acho que é outro exemplo que poderiam pensar melhor, já que a estrutura montada já é apenas para a atração turística, o local tem espaço para oferecer acesso de forma melhor.


  • Cachoeira da Asframa (Presidente Figueiredo)

Foto minha com a cachoeira no fundo. Estou na cadeira de rodas, com short preto e blusa colorida, sorrindo, em cima de uma passarela pavimentada com corrimão e a cachoeira no fundo, com vegetação em volta.

Presidente Figueiredo é uma cidade que fica há mais ou menos 100 km de Manaus, com 150 cachoeiras, e o jeito mais fácil de ir é com agência de turismo, mas não é a forma mais acessível. Procurei muito, expliquei todas as minhas necessidades para várias agências de turismo e não tive uma experiência boa nesse sentido. Escolhi um roteiro que seria possível fazer quatro atrações sendo cadeirante. mas no dia duas atrações não estavam indo por causa do tempo e o guia do passeio afirmou que apenas a Cachoeira da Asframa era acessível, na outra eu tive que ficar dentro do carro esperando as outras pessoas do grupo voltarem. Ou seja, eu paguei como todo mundo, enfrentei perrengue com o transporte e aproveitei só metade do passeio, diferente do que me venderam. Não arrisquei ir de carro por conta própria porque não conheço o local e lá é difícil ter sinal de celular.

A Cachoeira da Asframa em si é sim acessível, mas conta com uma rampa bem grande que precisei de ajuda pra chegar lá. Valeu a pena porque o visual é bem bonito e muito agradável de ficar lá, só fiquei chateada de não ter feito o passeio como eu pensei que seria e ainda ter pago caro para receber algo diferente do que foi vendido. É apenas questão de o setor de turismo de maneira geral dar atenção para a acessibilidade, pois é possível ter estrutura e funcionários preparados para isso.


Visitar Manaus foi uma experiência única na minha vida e eu já quero voltar pra fazer outras coisas que não tive tempo. Espero que a acessibilidade por lá melhore daqui pra frente!




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