Tudo sobre acessibilidade em New York
- Rebeca Kim

- 1 de abr. de 2022
- 17 min de leitura
Atualizado: 30 de abr. de 2022

Resolvi começar por essa cidade que além de mexer com meu coração, oferece bastante conteúdo quando o assunto é acessibilidade. Como eu já fui pra lá em cinco ocasiões diferentes, tive diversas experiências nas atrações, hospedagens e transportes por lá. Nesse post vou explicar cada um desses itens separadamente. Ao final, também citei alguns lugares fora de Nova York que dá para conhecer e voltar no mesmo dia.
A minha dica principal é se hospedar próximo a Times Square, pois além de ser mais fácil de encontrar opções de hospedagens com quarto acessível, já fica localizado próximo a muitas atrações turísticas. Assim economiza tempo e evita perrengue com qualquer tipo de transporte, pois a cidade é toda plana e com rampas para atravessar as ruas. Se você tiver disposição, cadeira motorizada ou alguém para ajudar a empurrar, é possível percorrer praticamente todos os lugares “a pé”. Se precisar de banheiro acessível, é fácil achar algum Mc Donald’s por várias partes da cidade.
Nova York é uma cidade que vive em obras, então nem sempre as calçadas serão amplas, livres e perfeitas, mas dá para passar nas vias de pedestre que as obras organizam, se for o caso. Muitas lojas por lá possuem mais de um pavimento, mas a grande maioria tem elevador. Geralmente, os próprios funcionários das lojas já indicam onde é o elevador e, em alguns casos, você acaba tendo que passar pela parte interna da loja, por área de serviço e estoque, mas é melhor do que não ter acesso. Algumas dessas lojas parecem até um ponto turístico, com uma linda vista no segundo andar ou com decoração temática, como por exemplo as lojas da Nintendo, Disney, Apple, Lego, Barnes and Nobles e Hard Rock Cafe. Eu não diria que é uma cidade 100% acessível, mas o meu objetivo aqui é compartilhar as melhores formas que eu encontrei de conhecer e aproveitar a cidade.
Transporte
Metrô
Nem todas as estações são acessíveis, mas dá para utilizar o metrô em todos os cantos da cidade, inclusive no translado de/para o aeroporto JFK, que eu segui essas dicas aqui, e bastou conferir que as estações necessárias no trajeto são acessíveis. Eu gosto de utilizar o mapa em pdf disponibilizado na página oficial do metrô. Basta clicar aqui e acessar "Accessible Stations Subway Map" que mostra exatamente todas as informações sobre acessibilidade nas estações, com constantes atualizações. Apesar de ser em inglês, acho esse menos confuso de entender do que o mapa geral com todas as outras informações. Para acessar as estações, às vezes o elevador fica localizado do outro lado da rua ou virando a esquina, tem que procurar ou perguntar. Por dentro delas geralmente é preciso percorrer uma certa distância até encontrar o elevador entre plataformas, e é preciso estar atento nas placas que indicam a direção desejada para pegar o elevador correto. Ao sair do metrô, geralmente os elevadores se encontram no final de cada plataforma e há placas indicando a direção. Vale o aviso que esses elevadores de maneira geral são bem sujos e fedidos. Além disso, por várias vezes algum elevador parou de funcionar, e aí só contando com ajuda de outras pessoas ao redor para carregar escada acima. Até onde eu sei, turista com deficiência lá paga passagem normalmente. Se houver algum benefício de desconto ou gratuidade, me avisem porque eu também quero!

Ônibus
Nunca peguei ônibus de linha que circulam dentro da cidade, mas vendo de fora, parece que é acessível.
O que eu achei interessante foi pegar ônibus executivos, desses de viagens mais longas, tanto para as outras cidades que vou falar no final do post quanto para o maior Outlet mais próximo de Manhattan, que fica na verdade em New Jersey (por isso o transporte é por meio desse ônibus executivo). O ônibus é equipado com um elevador, duas fileiras de poltronas se dobram para a cadeira de rodas entrar no ônibus, é feito a transferência para outra poltrona comum, o elevador desce com a cadeira de rodas para acomodar no bagageiro e outras pessoas podem se acomodar nas poltronas que tiveram que ser dobradas para abrir espaço. Como nem tudo são flores, também passei por perrengues, mas essa parte eu conto na atração do Outlet e no bate e volta em Washington. Apesar dos pesares, é uma alternativa em pleno funcionamento nos ônibus executivos por lá, que eu saiba pelo menos desde 2016, e que aqui no Brasil ainda não foi implantada.
Uber
Funciona exatamente como no Brasil, pelo mesmo aplicativo. Eu não utilizei muito por causa do preço e porque a cidade tem muito trânsito, na maioria das vezes o metrô compensa mais. O Uber pode servir para o translado de/para o aeroporto se você não quiser fazer tantas baldeações de metrô, e também caso esteja chovendo ou até nevando para ir a pé até a estação de metrô acessível mais próxima. Quanto a acessibilidade, os carros são comuns. Outro serviço bem similar usado em todo os Estados Unidos é o Lyft.
Táxi
Assim como o Uber, os carros amarelinhos são comuns e o trânsito não favorece a ficar transitando de carro pela cidade. Já aconteceu de o Uber cancelar meu pedido por três vezes, eu fui para o aeroporto de táxi e o preço não foi tão mais caro assim. Não vi por lá nenhum táxi adaptado ou até mesmo algum transporte particular com elevador como temos as doblôs em algumas cidades aqui do Brasil, por exemplo.
Hospedagens
Eu acho difícil encontrar airbnb acessível, mesmo com o filtro oferecido na plataforma, pelas fotos já dá pra ver que não é totalmente acessível. Além do mais, a maioria das opções são em regiões mais afastadas da Times Square e eu não acho vantagem, como falei lá em cima, então aqui vou listar três hotéis que já me hospedei. Antes de reservar eu utilizo os filtros de acessibilidade de todos mecanismos de busca por hotéis, e ainda confiro as fotos. Muitos indicam hostel, principalmente para economizar, mas esse tipo de hospedagem de maneira geral também não possui acessibilidade e, sendo banheiro compartilhado, fica mais difícil ainda.

Crowne Plaza Times Square
Dos hotéis que eu já me hospedei, esse é de longe a melhor opção em questão de conforto, localização e acessibilidade. Não possui café da manhã incluído mas eles fizeram uma pequena confusão na minha reserva, que eu nem cheguei a reclamar, mas para compensar me deram de graça o café da manhã que eles cobram a parte e foi absolutamente excelente. Costuma ser também a opção mais cara e por isso só fiquei hospedada lá uma vez, que foi quando consegui uma promoção boa.
Em outra ocasião em que eu nem estava hospedada lá, precisei usar o banheiro em um horário que todos os estabelecimentos estavam fechados e eles deixaram, entendendo a necessidade e oferecendo banheiro acessível logo na recepção do hotel.
Hotel Edison
É também muito bem localizado e possui quarto acessível. Os quartos são enormes, se for para quatro pessoas é até dividido em dois ambientes. Normalmente não oferece café da manhã incluído na reserva.
Econo Lodge Times Square
É a opção de melhor custo benefício porque é bem localizado, costuma ser mais barato e ainda oferece café da manhã continental. Não possui banheiro acessível na área comum e o café da manhã é bem simples e servido na própria recepção, então é preciso contar com a noção e a boa vontade dos outros hóspedes em cederem espaço para você se acomodar em alguma das poucas mesinhas que eles disponibilizam. Os quartos não são tão espaçosos e, pelo que eu entendi, só um quarto é acessível e para apenas duas pessoas, o que pode ser um inconveniente.
Atrações
A maioria das atrações possuem acesso e caso seja necessário comprar ingresso e pegar filas, tanto a pessoa com deficiência quanto o acompanhante pagam e aguardam na fila normalmente, sem gratuidade ou desconto no valor e sem prioridade nas filas de espera, até mesmo para pagar em lojas e estabelecimentos.
Vou explicar melhor sobre cada uma, inclusive o que não for tão acessível assim, e ao final uma atração gratuita especificamente para cadeirante que foi uma das coisas mais legais que já vivi na vida.
Catedral St. Patrick
Localizada em plena 5ª Avenida e exatamente em frente ao Rockfeller Center, a imponente igreja inaugurada em 1879 atualmente possui entradas com rampas pelas laterais e também rampas em seu interior, possibilitando a circulação por todos os espaços e preservando suas características culturais e arquitetônicas. Esse é um dos meus exemplos favoritos para mostrar que é possível sim que construções históricas se tornem acessíveis sem prejuízo ao patrimônio histórico-cultural. Aqui neste link é possível ver imagens das rampas no interior da igreja.
Grand Central Terminal
Além de ponto turístico, a estação é um terminal tanto de metrô quanto de trem em pleno funcionamento e concentra um imenso fluxo de passageiros que circulam tanto dentro de NYC como entre outras cidades, então a estação é sim acessível, principalmente por servir também como meio de transporte.
Uma questão é que como se trata também de uma construção antiga, as entradas acessíveis e elevadores não são pelos caminhos principais, ficam até meio escondidas e pouco sinalizadas. Basta procurar ou perguntar, e talvez você tenha que transitar por grandes percursos dentro da estação que é imensa.
Rockfeller Center

Assim como a Grand Central, o Rockfeller Center é um complexo comercial em pleno funcionamento, além do ponto turístico em si, por isso possui sim entrada acessível e elevadores, mas pode dar um certo trabalho também para localizá-los. Uma vez fiquei tanto tempo lá dentro procurando a saída que um funcionário me acompanhou pelo elevador de serviço interno, parecia quase uma saída secreta.
Lá também possui o observatório chamado "Top of the Rock". É bem legal porque dá pra ver o Empire State bem de perto e também o Central Park do alto. Possui um parapeito de proteção e em algumas partes tem grade, mas tem espaços mais baixos que não compromete tanto o campo de visão.
Empire State
Até antes de 2019, o observatório do Empire State era apenas no 86º andar, onde tem um guarda corpo de concreto que ficaria na minha altura, dificultando a visão para a cidade e por isso eu nunca subi lá. Só fui até a entrada, que é bonito de tirar fotos, mas é apenas uma recepção. Soube que agora há um novo observatório no 102º andar, coberto por vidros e sem nada que comprometa a visão.
One World Observatory
Após a tragédia de 11 de setembro, foi construído um memorial com museu no local e um novo arranha céu ainda mais alto do que as Torre Gêmeas, se tornando o prédio mais alto de Manhattan. Como uma das principais atrações de NY é ir até o topo de um arranha céu e observar a cidade lá do alto, eu considero esse a opção mais acessível. Por ser todo novo, moderno e tecnológico, a parte do observatório é toda de parede de vidro do chão até o teto, não há grades ou parapeito atrapalhando a visão. No museu eu nunca entrei, mas acredito que seja acessível por ser uma construção totalmente nova. Nessa região também está localizada a Wall Street, onde fica o centro histórico-financeiro da cidade e também um dos trajetos mais difíceis com relação a acessibilidade. As ruas são de paralelepípedo, mas nada pior do que costumamos ver no Brasil.

Central Park
É possível chegar até o Central Park de várias maneiras diferentes, mas nem tudo por lá é acessível. Há trajetos de rua asfaltada dentro do parque, mas há também paralelepípedo, gramado, pontes, subidas e descidas… Não sei de nenhuma opção acessível para fazer tours dentro do parque, que podem ser feitos de bicicleta ou de charrete. Podiam oferecer scooters para alugar, por exemplo, ou aqueles equipamentos que se acoplam à cadeira de rodas e possui motor ou guidão de handbike.
Museu de História Natural
O museu do primeiro filme "Uma Noite no Museu" é totalmente acessível, com entrada pela lateral e é permitido que todas as pessoas junto com a pessoa com deficiência entrem junto, sem necessidade de separar o grupo com apenas um acompanhante. Caso o museu esteja cheio, é um pouco difícil de transitar pelo saguão principal, pois é onde todas as outras pessoas formam fila para entrar e, vindo pela entrada lateral, o fluxo de passagem acaba sendo contrário. Basta ter um pouco de paciência, mas de qualquer forma isso não atrapalha em nada a visita ao restante do museu, que é enorme.

Ponte do Brooklyn
São quase dois quilômetros de extensão e a travessia de pedestres é feita por ripas de madeira, bem próximas umas das outras de maneira segura e regular, mas ainda assim, não é um terreno liso. Ao final da ponte, os pedestres podem descer por uma escada, mas a descida por rampa é bem mais na frente, fazendo com que a distância total seja ainda maior. Também seria uma boa ideia se pudesse alugar scooters por um curto período apenas nesse trecho.
Por causa disso eu nunca cheguei a visitar a região DUMBO, bairro localizado à esquerda da ponte do Brooklyn para quem vem de Manhattan. É onde fica o carrossel, que dá para ver de cima da ponte, mas as ruas no entorno são de paralelepípedo ou gramado.
Já para o lado direito fica localizado o píer, que é um passeio muito agradável à margem do rio, tudo plano e liso, e lá também é possível pegar um barco que faz pelo rio a mesma travessia da ponte. O barco é pago, mas é totalmente acessível, então se você não conseguir fazer a caminhada na ponte vale a pena ir de barco, ou até mesmo ir pela ponte e voltar de barco, que foi o que eu fiz, porque o passeio por lá é muito bonito. Dá para ir ao Brooklyn de metrô, mas a estação acessível não é tão próxima ao píer e como eu nunca fui, não sei como são as ruas no caminho da estação.
Estátua da Liberdade
Aqui neste link possui todos os detalhes para o clássico passeio turístico até a estátua. É acessível, mas qualquer pessoa com deficiência paga o ingresso comum, enfrenta filas bem longas e o barco que leva até a ilha da estátua é sempre muito cheio, então esse é um perrengue que é igual para pessoas com deficiência ou sem.
É possível pagar um ingresso mais caro para subir em dois níveis diferentes por dentro da escada, mas aí não tem elevador e, sinceramente, é o único diferencial que eu veria como vantagem para fazer questão de ir até lá, se tivesse como subir.
Digo isso porque é possível ver a estátua da liberdade de forma gratuita, através da balsa para a Staten Island. Esse é um transporte público utilizado por moradores dessa ilha, é acessível e, apesar de não parar exatamente na estátua da liberdade, passa próximo a ela bem devagar. Dá pra ver, apreciar e tirar fotos na ida e na volta, sem tumulto e totalmente gratuito. Saindo da balsa ainda tem um shopping outlet Empire a céu aberto, bem moderno e bonito. Vale a pena o passeio para observar Manhattan de um outro ângulo, visto da balsa e também da ilha, e ainda recomendo voltar no fim da tarde para ver a estátua da liberdade no pôr do sol.
High Line Park
Um parque suspenso, estruturado em antigos trilhos de trem, por cima da cidade e ao lado dos prédios. Possui algumas entradas acessíveis com elevador, lá em cima o caminho é todo plano e reto. Dependendo da época há jardins floridos e/ou exposições de arte, além da visão no alto que é sempre magnífica. Nesta página há informações sobre os elevadores e banheiro acessível. Recomendo combinar o passeio com o Chelsea Market, polo gastronômico no estilo mercadão que fica bem próximo e também acessível.

Teleférico a Roosevelt Island
Assim como a balsa para Staten Island, o teleférico é um meio de transporte para os moradores da ilha Roosevelt, mas pode ser um passeio legal que foge do clichê turístico. É acessível e pago como uma passagem de metrô, a ilha do outro lado não tem nada demais, mas achei bem legal simplesmente atravessar e voltar pelo teleférico novamente, podendo capturar novos ângulos da cidade vista de cima. Cabe a cadeira de rodas inteira dentro do teleférico e mais seis pessoas sentadas.
Broadway
Eu amo musicais e poder pagar mais barato pra assistir a algum musical da Broadway legítimo ao vivo é o melhor dos dois mundos. Para isso eu encontrei aqui todas as dicas e entendi todos os termos utilizados para comprar ingressos com desconto. Já sabendo como os descontos funcionam, eu acesso o site "Broadway for broke people", que significa literalmente: Broadway para pessoas duras, sem dinheiro, e lista todas as peças atuais, indicando qual é o tipo de desconto oferecido por cada uma, horários e endereço do teatro.
A grande questão é que, assim como no Brasil, apenas alguns assentos do teatro são destinados a cadeirantes. Se para a venda geral a quantidade de ingressos já é reduzida, é esperado que essa disponibilidade seja ainda menor contando com sorteios ou últimos ingressos disponíveis para comprar com desconto. Eu poderia enfrentar uma fila ou participar de um sorteio que, na minha vez de comprar, todos os lugares acessíveis já estivessem ocupados. Para não passar por isso, acredito que só comprando com antecedência e sem desconto nenhum.
No meu caso, felizmente decidi arriscar e deu certo. Fiquei na fila presencial do teatro para comprar os últimos ingressos disponíveis para a apresentação do próprio dia, vendidos com desconto por ser de última hora ("rush"), e ao escolher meu assento havia opção de lugar acessível. Não sei como fariam caso houvessem apenas assentos padrão, sem acessibilidade, pois lá eles não costumam dar "jeitinho" em nada, mesmo que eu pudesse tentar me acomodar em uma poltrona comum.
Outro tipo de ingresso com desconto é o "Standing Room Only", quando a apresentação já está lotada, algumas pessoas podem ficar em pé no fundo do teatro. Confesso que tenho curiosidade de saber como seria para um cadeirante nesse caso, se as pessoas civilizadamente abririam espaço entre elas para não ficar na minha frente, mas acabei não arriscando porque apesar de ser bem mais barato, 15 dólares é dinheiro para talvez não conseguir ver nada.
Museu de Cera Madame Tussauds
O museu é em um prédio e possui elevador garantindo acesso em todos os andares, mas aparentemente o caminho por escada também é temático, então o elevador perde um pouquinho da experiência. Algumas estátuas de cera possuem espaço para interação, como se sentar na bicicleta do E.T, por exemplo. Não sei se os outros museus de cera em outros lugares também tem esses detalhes, e apesar disso é bem legal a experiência.

The Vessel
Atração relativamente nova, faz parte de um complexo no Hudson Yards, próximo ao High Line. É um edifício aberto, em formato similar a uma colméia de abelha em que o acesso em todos os espaços é só por escada. Há elevador, mas pelo que eu entendi só nas laterais, o que tira um pouco da experiência arquitetônica. Eu nunca fui, mas li que foi um investimento milionário e pelo visto a acessibilidade não foi tratada com prioridade nesse caso, pois hoje em dia já existem várias soluções para superar escadas, principalmente em se tratando de um investimento novo e tão alto.
O complexo Hudson Yards também conta com um novo shopping e um novo observatório, moderno e sem barreiras na visão. Esse parece muito bom, mas eu ainda não fui.
Biblioteca Pública
Localizada na 5ª Avenida e atrás do Bryant Park, a entrada é gratuita para todos e acessível pela lateral. Essa parte pode ser um pouco chata pois tem que pedir para abrir especificamente por ser cadeirante, mas a visita vale muito a pena. É enorme, linda, imponente e por dentro também tem elevador.

Bryant Park
Acho que o parque com acesso mais difícil talvez seja o Central Park. É também o maior, claro, mas por Manhattan há vários outros menores, lindos e pavimentados, facilitando muito a circulação. O meu favorito é o Bryant Park, pela localização e porque em várias épocas do ano são organizados diversos eventos, como feiras, shows e até cinema ao ar livre. Um desses eventos é a pista de patinação no gelo, durante os meses de inverno. É uma pista artificial e paga, tendo a opção de você levar seu próprio patins ou alugar lá. A excelente surpresa é que cadeirante pode ter acesso a pista de graça e com apoio de patinadores profissionais. Eu fui e foi uma experiência inesquecível! Empurrar a cadeira na pista do gelo é mais pesado do que no chão, mas os patinadores tem muita experiência e tornam tudo muito divertido, empurrando com velocidade e segurança nos movimentos, desviando das pessoas e deslizando pela pista montada no meio daqueles prédios todos em volta.

Outlet Jersey Gardens
Como eu disse ali em cima quando falei sobre ônibus, o maior shopping outlet próximo a Nova York fica na verdade em New Jersey, na cidade vizinha. A maneira mais fácil de ir sem carro é de ônibus, que sai da Port Authority, rodoviária central em Manhattan. O ônibus em si é acessível, só tem um detalhe que normalmente esse ônibus sai de um portão específico lá na rodoviária em que o acesso é apenas por escada rolante. Como eu disse, para eles lá não tem jeitinho, então até levei esporro por tentar subir pela própria escada rolante.
Quando é necessário que o portão de saída do ônibus seja acessível, é preciso avisar em um departamento específico no primeiro andar (você pode perguntar no balcão de informação logo na entrada), e eles avisam o ônibus para embarcar excepcionalmente quem precisa em outro portão. O que já aconteceu é que vi passar três ônibus desse para o shopping que não foram avisados que eu iria embarcar e eu fiquei lá esperando por muito mais tempo. Como esse ônibus tem muita saída por causa do shopping, e especificamente com turistas, seria mais fácil que o portão oficial já fosse acessível...
O shopping é comum como qualquer outro, então é acessível, e para voltar o ônibus para na calçada logo na saída do shopping, sem problemas.
Bate e Volta
Estar em Nova York é uma ótima oportunidade para conhecer outras cidades por perto. Na maioria dessas cidades é possível pegar o ônibus na rodoviária Port Authority (a mesma para ir ao Outlet) bem cedo pela manhã, ao descer do ônibus conhecer os pontos turísticos andando pela cidade e retornar no final da tarde.
Washington
Li que é mais rápido ir de trem, mas é muito mais caro, então não sei sobre a acessibilidade no trem. O trajeto de ida foi bem simples: portão acessível para pegar o ônibus, ônibus acessível, rodoviária acessível em Washington, começamos a passear andando próximo ao Congresso. Os monumentos são bem próximos um do outro, a maioria dos museus são gratuitos e possui lugar para almoçar, essa região da cidade é toda plana e fica fácil ir a pé. Nesse link você confere um roteiro bem parecido com o que eu fiz. O perrengue começou ao passar pelo Obelisco até o Memorial de Abraham Lincoln, pois o caminho é todo gramado. Até aí tudo bem, mas chegando no memorial descobrimos que o elevador não estava funcionando. A estátua do Abraham Lincoln fica bem no topo da escadaria e é bem frustrante ir até lá e não conseguir vê-la de perto, pois tanto a estátua quanto a construção em que ela se encontra é bem lindo, enorme e imponente. Um outro turista por lá inclusive informou que aquele elevador já não funcionava há uns meses (isso foi em julho de 2018). Como desgraça pouca é bobagem, passamos por mais um parque com jardins, grama e chão de terra para chegar até a Casa Branca e começou uma chuva de verão intensa, dificultando mais ainda o trajeto. Só vimos a Casa Branca rapidinho, de longe (devido a segurança toda em volta) e voltamos logo para a rodoviária para pegar o ônibus de volta porque não tinha lugar coberto próximo. A vantagem é que por causa disso descobrimos na rodoviária de Washington uma loja H&M, com roupas bem baratas que a gente pôde comprar e trocar ali na rodoviária mesmo, para não voltar com roupa molhada de chuva durante a viagem toda. Mas não para por aí. O ônibus que a gente deveria pegar para voltar a NYC estava com o elevador quebrado. O motorista tentou fazer funcionar de toda forma, até desistir e a gente ter que ficar lá mais um tempo esperando um outro ônibus.

Boston
Boston é ainda mais fácil de passear. Também é possível ir de trem, mas fui de ônibus pelo mesmo motivo anterior: o preço. Para pegar o ônibus é exatamente a mesma coisa, e bem perto da rodoviária em Boston já começa o "Freedom Trail", um trajeto traçado no chão da cidade, marcado por tijolinhos no piso cimentado e indicando os pontos turísticos. Eu achei essa ideia incrível, a cidade também é toda plana, fácil de andar e como as atrações são bem próximas, não é tão cansativo, dá pra ir andando e fazendo paradas até chegar na rodoviária de volta no final do dia. Neste link você confere os lugares detalhados. O único que eu entrei foi o Quincy Market, onde parei pra almoçar, mas o resto só visitei por fora.
Filadélfia
Essa cidade foi um pouco diferente porque fui de carro, mas dá pra ir de ônibus e acredito que seja da mesma forma que as outras acima. A mesma coisa para o trem. A rodoviária fica próxima ao Sino da Liberdade e ali já começamos o nosso passeio caminhando, basicamente segui esse roteiro aqui e o único lugar que entrei foi no mercadão para almoçar. Acabei pegando a avenida Benjamin Franklin no sentido oposto, indo em direção a estátua do Rocky Balboa, e apesar de ser um caminho liso e bonito, decorado com as bandeiras de todos os países, é realmente um trajeto muito extenso, tanto que ao chegar no final achamos melhor pedir um uber para voltar onde o carro estava estacionado.
Coney Island
Essa não é bem uma cidade, é uma península que fica no Brooklyn. Eu também fui de carro, mas dá para ir de metrô, tem uma estação acessível direto de Manhattan pra lá. Não considero um destino imperdível, mas é um passeio legal para conhecer uma praia bem no estilo estadunidense, com um píer pra passear e um parque de diversões. Não sei sobre a acessibilidade no parque e nem vi nenhum caminho acessível para descer na praia, mas passear pelo píer é bem agradável e pode render fotos bonitas.
Esse post ficou bem extenso, mas aproveitei para reunir tudo o que eu já vivenciei em termos de acessibilidade nas vezes que visitei Nova York. A cidade tem muitos atrativos e dessa forma eu pude mostrar basicamente todas as possibilidades da forma mais completa possível.

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